Entrevista com Jussara, presidenta da Associação Cultural Espiral do Reggae.

Nesse trecho ela relata um pouco da sua história e a sua opinião sobre a relação dela  com as novas tecnologias. E como ela sendo representante do coletivo  de entidade negras ver a questão da exclusão digital de  mulheres negras.

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Inclusão digital na Educação de Jovens e Adultas

Esse artigo faz uma reflexão sobre o processo de inclusão digital de mulheres, de maioria negra, estudantes do ensino fundamental da EJA(Educação de Jovens e Adultos), numa perspectiva desta inclusão auxiliar na diminuição da exclusão social destas mulheres. A experiência da inclusão digital se deu a partir da sala de aula, usando a informática para auxiliar na assimilação dos conteúdos das aulas.Ou seja, a inclusão digital sendo um meio pedagógico e também um fim.

Desde o perfil da turma com uma maioria de estudantes negras já identifica-se o processo de exclusão social sofrido, já que a EJA caracteriza-se, geralmente, por terem turmas noturnas de estudantes acima de 18 anos, analfabetas/os, trabalhadoras/es, ou seja, abarcando um grupo de baixa renda.”A realidade das alunas negras do Projeto EJA não é diferente. Todas apresentam uma fala que demonstra uma trajetória de vida sofrida, sem ter tido condições de acesso à escola durante a idade regular e o trabalho para garantir a sobrevivência é o ponto chave da questão. Trabalhar ou estudar sempre é o binômio decisivo na vida das alunas e sempre a questão de sobrevivência é primordial, optando pelo trabalho em vez dos estudos(…)Através de observação e levantamento de dados foi possível formar o perfil das alunas matriculadas no curso de EJA fundamental nas classes de alfabetização que apresentam características peculiares tais como: Possuem renda de meio a um salário mínimo, são responsáveis pelo sustento de suas famílias e trabalham uma carga horária extensiva e não possuem tempo para estudar além da sala de aula. Em 60% dos casos são mães solteiras ou separadas, sempre sobreviveram sem a presença masculina. São analfabetas e não possuem conhecimentos de informática são analfabetas digitais. A falta de motivação para a aprendizagem como processo básico de leitura e escrita é um ponto negativo no processo de aprendizagem dos conteúdos, na realidade. A leitura do mundo foi sempre fundamental para a compreensão da importância do ato de ler, de escrever ou de reescrevê-lo, e transformá-lo através de uma prática consciente (Neuza Maria Câmara).”

Tratando da inclusão digital, a autora fala do desafio,  levando em conta a faixa etária das mulheres e a ausência de computadores nos ambientes que elas frequentam (casa e trabalho), o computador provoca receio, se afigura como algo muito difícil e estranho para elas. Para as(os) professores, os meios digitais acabam sendo um desafio também no seu uso como instrumento pedagógico. O Governo Federal tem projetos como o Proinfo para capacitação de educadores/as, “onde grupos de professores se ausentam das salas de aula para treinamento em cursos de informática de cunho educacional e com referência à prática pedagógica”. Os programas usados no computador e na internet vão de acordo com as decisões dos grupos, mas no artigo não foi citado sobre o uso de Softwares Livres.

 

A Inclusão Digital da Mulher Negra nas Turmas da Eja de Santa Cruz de Minas: Superando a ExclusÃo Social publicado 26/11/2008 por Neuza MARIA CÂMARA DE SOUZA em http://www.webartigos.com

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/11886/1/A-Inclusao-Digital-da-Mulher-Negra-nas-Turmas-da-Eja-de-Santa-Cruz-de-Minas-Superando-a-ExclusAo-Social/pagina1.html#ixzz1OdCX8EOR

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Projeto de pesquisa

Mulheres Negras na Internet

Um estudo sobre a exclusão digital de mulheres negras de Salvador

1. Introdução a temática: Gênero, raça e exclusão digital. Trata-se de uma pesquisa sobre a relação mulher negra e mundo digital, como a exclusão digital atinge as mulheres negras e quais são as conseqüências dessa exclusão, manifestadamente uma conseqüência da exclusão social.

2. Objetivo geral: A pesquisa tem o objetivo de estudar a questão da exclusão digital no universo das mulheres negras. Pretendemos esclarecer como se dá e qual a diferença da exclusão digital entre mulheres negras e mulheres brancas (paralelo étnico), e mulheres negras e homens negros (paralelo de gênero).

3. Objetivos específicos:

- Refletir sobre a exclusão digital como conseqüência da exclusão social, e como isso afeta diretamente as mulheres negras em sua maioria.

- Compilar no blog Mulheres Negras na Web os materiais teóricos que estudam a exclusão digital, a questão de gênero e a questão racial. E, mais importante, que tratam dos três aspectos de forma conjunta.

- Mapear e selecionar grupos de mulheres negras em Salvador

- Fazer um diagnóstico para identificar se existem ou não ações e projetos para inclusão digital das mulheres negras entre os grupos selecionados. Nesse diagnóstico deve constar como são esses projetos, qual a importância, quais as dificuldades de implantação de um projeto de inclusão digital, as metas e possíveis conseqüências da inclusão digital, se e como a necessidade da inclusão se revelou para os grupos, se a inclusão digital se impõe como um mecanismo de emancipação no mundo da informação e, por fim, se e como a inclusão transforma as práticas das mulheres negras.

4. Marco Teórico: Utilizamos os seguintes conceitos de gênero e raça:

– Gênero:

“A forma culturalmente elaborada que a diferença sexual toma em cada sociedade, e que se manifesta nos papéis e status atribuídos a cada sexo e constitutivos da identidade sexual dos indivíduos” (Dicionário Aurélio, Brasil).

“Gênero é um elemento constitutivo de relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos, e o gênero é um primeiro modo de dar significado às relações de poder”. (Joan Scott)

No conceito dado pelo dicionário Aurélio, há uma ressalva para os termos ‘cada sexo’, já que toma como pressuposto de que existem apenas dois sexos definidos- homem e mulher. Isso entra em discordância com a Teoria Queer, que estamos utilizando como base teórica, pois é limitante e segundo esta teoria as identidades sexuais são múltiplas. A teoria queer aposta numa política pós-identitária, pois a afirmação de uma identidade implica sempre a negação do outro, a demarcação dos limites sem uma perspectiva de interdepência. Essa política não teria como alvo as mulheres e homens homossexuais, e sim a crítica a dicotomia hetero x homo, já que é isso que regula as relações sociais. O foco agora é a cultura, a linguagem, o discurso e as instituições.

– Raça:

“Alguns estudiosos entendem que a sua etimologia provém da palavra latina “radix”, que significa raiz ou tronco; Ela tem sido usada para designar qualquer agregado de pessoas que podem ser identificados como pertencentes ae um grupo. Assim, as pessoas que possuem os mesmos ancestrais, ou compartilham com as mesmas crenças ou valores, mesma linguagem ou qualquer outro traço social ou cultural [de caráter unificador] são considerados como uma raça”. (http://www.bahai.org.br/racial/Raca.htm)

- Inclusão digital:

“Uma definição mínima passa pelo acesso ao computador e aos conhecimentos básicos para utilizá-lo. Atualmente, começa a existir um consenso que amplia a noção de exclusão digital e a vincula ao acesso à rede mundial de computadores. A idéia corrente é que um computador desconectado tem uma utilidade extremamente restrita na era da informação, este acaba sendo utilizado quase como uma mera máquina de escrever. Portanto, a inclusão digital dependeria de alguns elementos, tais como, o computador, o telefone, o provimento de acesso e a formação básica em softwares aplicativos.”

- Exclusão Digital:

“Pensar em exclusão digital, de fato, não significa meramente pensar na falta de equipamentos ou sistemas computacionais de informação acessíveis à população, trata-se também de um processo de exclusão social, econômica e cultural. Conforme Schwartz (2000), a exclusão digital não significa somente deixar de ter acesso a bens eletrônicos como computadores, internet, telefones celulares e televisores via satélite, mas sim, continuarmos incapazes de pensar, de criar e de organizar novas formas, mais justas e dinâmicas, de produção e distribuição de riqueza simbólica e material.” (Marcos da Silva Araújo)

A partir desses conceitos de gênero e raça trabalharemos com a bibliografia feminista e do movimento negro, selecionando estudos acerca das novas tecnologias e da inclusão digital. O conceito de exclusão digital que o grupo utiliza coloca a exclusão social como uma das principais causas, sendo as mulheres negras uma das parcelas mais excluídas socialmente.

5. Bibliografia:

- SCOTT, J.W. Gênero: uma categoria útil para a análise histórica. Disponível em: < http://www.dhnet.org.br/direitos/textos/generodh/gen_categoria.html&gt;

-Blog mulheres negras na web (http://mulheresnegrasnaweb.wordpress.com)

- Superintendência de Políticas para Mulheres (http://www.spm.salvador.ba.gov.br/)

- Centro de Estudos Afro-Orientais (http://www.ceao.ufba.br/2007/)

- Educação e Profissionalização para Igualdade Racial e de Gênero (http://www.ceafro.ufba.br/web/index.php/inicio)

- Centro Feminista de Estudos e Assessoria (http://www.cfemea.org.br/)

-SEBASTIÃO, A. A. Disponível em: -Geledés Instituto da Mulher Negra (http://www.geledes.org.br)

-CEAFRO (http://www.ceafro.ufba.br/web)

-Mulheres negras- do umbigo para o mundo (http://www.mulheresnegras.org)

- Agência Patrícia Galvão (http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_capas&view=capas&tplay=sub&capaid=2&Itemid=27)

-Feminismo Negro na Internet (http://pt.scribd.com/doc/33866585/Feminismo-Negro-Na-Internet)

- Retrato da Desigualdade (http://www.novo.afrobras.org.br/pesquisas/retrato-desigualdade-3-edicao.pdf)

- NATANSOHN G., BRUNET, K. Análise: No mundo da tecnologia, há uma brecha digital de gênero, raça e clase. Disponível em:<http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1482:16032011-analise-no-mundo-da-tecnologia-ha-uma-brecha-digital-de-genero-raca-e-classe-folha-&catid=44:noticias&gt;.

- Portal Software Livre (http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/artigo_02/)

- ARAÚJO, M.S.A Informação em um Mundo em Transformação. Disponível em: http://www.webartigos.com/articles/88/1/A-Dinamica-Da-Exclusao-Digital-Na-Era-Da-Informacao/pagina1.html

-Unidade Racial- O que é raça? (http://www.bahai.org.br/racial/Raca.htm)

6. Metodologia:

- Acompanhamento das ações para inclusão digital voltadas para mulheres negras dentro de grupos selecionados para a pesquisa.

- Trabalhar com órgãos específicos da localidade de Salvador (como, por exemplo, a Superintendência de Políticas para Mulheres – SPM), e através de entrevistas, questionar a exclusão digital da mulher negra soteropolitana.

- Fazer um levantamento de dados através de pesquisa e das entrevistas com pessoas e grupos que trabalham com o tema.

- Elaborar um artigo final com abordagem do tema específico na Região Metropolitana de Salvador, trazendo dados atualizados, questionamentos e uma sugestão possível para a aplicação da inclusão digital de mulheres negras soteropolitanas.

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Educação sexista

Por mais que entendamos a exclusão digital como consequência da exclusão social (principalmente quando falamos em negras), quando se refere a gênero a causa da exclusão digital remete também ao debate da educação. Afinal de contas, as mulheres, independente da classe social a qual pertençam, sempre foram ditas como menos habilidosas e até mesmo incapazes de lidar com tecnologia assim como tudo que se refere à engenharia, ciência, física, enfim. Já sabemos que não há explicação biológica nenhuma que justifique isso. Isso é balela para manter as mulheres subjulgadas ao poder masculino, afinal conhecimento é poder e não é à toa que as mulheres sempre ficaram restritas ao ambiente doméstico, ao conhecimento do lar. Escola, ciência não era lugar de mulher. A academia até hoje é um espaço masculinizado. Hoje, no mundo racional, técnico-científico, no mundo da informação e da comunicação, excluir digitalmente é manter certos setores hegemônicos em detrimento de outros. E a tentativa de manter essa exclusão é feita através de discursos como os que dizem que as mulheres têm dificuldade de lidar com tecnologia. Isso é educação, uma menina educada a partir da descontrução dos discursos, da linguagem e das práticas sexistas terá seus horizontes ampliados. Quando permite-se que uma menina tenha acesso desde nova ao conhecimento, ao desenvolvimento cognitivo em todas as áreas e inclusive à tecnologia, suas habilidades se estenderão de acordo com seu interesse, seus desejos, sua formação, mas não a partir de seu sexo.

“A constatação da existência de um apartheid digital também foi colocada nesta plenária por Nilza Iraci. De acordo com a diretora do Geledés, para cada um negro com acesso a internet há 3,5 brancos tendo esta oportunidade. Nilza Iraci aponta que esta situação de máxima exclusão precisa ser vista para que todos e todas, e principalmente as mulheres negras, possam ter acesso às novas tecnologias como instrumento de transformação social, e que tenham a possibilidade de desenvolver processos, instrumentos, técnicas e canais de comunicação que formem sujeitos políticos comunicacionais. Nilza Iraci reflete sobre a importância que o acesso às novas tecnologias pode ter no fortalecimento do movimento das mulheres negras quando estas estiverem melhor habilitadas para desenvolverem seu trabalho de maneira mais qualificada, mais eficaz e com mais técnica e metodologias de racionalização. A diretora do Geledés finaliza dizendo que pensar em comunicação como um direito humano é antes de tudo imaginar que as maravilhas da sociedade da informação precisam ser compartilhadas por todos e todas.”

Inclusão digital- O que as mulheres têm a ver com isso?

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Acesso a Bens Duráveis e Exclusão Digital

” Os indicadores sobre acesso a bens duráveis e exclusão digital disponibilizados neste bloco trazem um panorama da
popularização e das persistentes desigualdades no acesso a um conjunto de bens e serviços nos últimos quinze anos. Apresen-
tam-se, aqui, dados sobre proporção de domicílios segundo o sexo e a cor/raça do chefe com acesso a fogão, geladeira, má-
quina de lavar, televisão, freezer e telefone; bem como dados referentes a domicílios que possuem microcomputador, acesso
à internet e telefone celular. Assim como para os demais blocos, os indicadores foram desagregados por sexo e cor/raça do
chefe do domicílio, por grandes regiões brasileiras e por localização do domicílio.
Com a estabilização da economia, ocorrida a partir de meados da década de 1990, o nível de renda dos brasileiros
vem aumentando paulatinamente, o que tem se refetido no acesso a bens de consumo duráveis. Alguns itens deste grupo, tais como televisão e fogão, podem ser encontrados na maioria dos domicílios brasileiros. Outros, como máquina de lavar, ampliaram signifcativamente sua presença entre as famílias do país, ainda que não possam ser considerados de acesso universal. A despeito das variações na posse de cada um dos itens, a tendência geral é de que os domicílios chefados por negros e aqueles localizados na área rural tenham menor acesso a esses bens* e que o acesso venha crescendo ao longo do período de tempo analisado para todos os grupos populacionais. Também não existem, em geral, grandes diferenças na posse de bens duráveis quando os chefes são homens ou mulheres.
Dentre os bens duráveis, o mais disseminado é o fogão, presente em 99% dos domicílios brasileiros. Ainda assim, as diferenças raciais são explícitas, pois enquanto 0,6% dos domicílios chefados por brancos não possuíam fogão em 2007, esse percentual era mais de duas vezes superior entre os negros: 1,4%. Por outro lado, ainda é alta a proporção de domicílios que não possuem geladeira – são 9,2% na média nacional –, sendo que entre os domicílios chefados por negros da zona rural esse percentual chega a 38%. No entanto, é importante destacar a expressiva ampliação do acesso da população brasileira a este tipo de bem, uma vez que, em 1993, mais de 28% dos domicílios brasileiros e 79% dos domicílios chefados por negros na zona rural não tinham condições de adquirir uma geladeira. Vale ressaltar que, mesmo não havendo diferenças na posse desse bem quando se comparam chefas femininas e masculinas, a ausência de geladeiras certamente reduz o tempo livre de mulheres (sejam elas chefes ou não), pois aumenta o tempo que estas têm de dedicar aos trabalhos domésticos, os quais, em geral, são de sua responsabilidade**.

A exclusão digital apresenta-se como um dos principais desafos no acesso à informação. Apesar dos inegáveis avanços nas possibilidades de aquisição destes bens e serviços, as desigualdades e a exclusão de parcela signifcativa da população
brasileira constituem-se realidades. A tendência geral, nesse caso, é de elevada exclusão digital da população negra, e, em especial, das mulheres negras. O acesso a microcomputador e internet***  nos domicílios ainda é exclusivo de uma parcela muito pequena da população e teve um crescimento mais limitado, quando comparado ao do telefone celular: entre 2001 e 2007, a proporção de domicílios com microcomputador e internet cresceu, respectivamente 14 e 13 pontos percentuais, enquanto no caso dos domicílios com telefone móvel, o crescimento foi de 37 pontos. O telefone celular é, portanto, mais disseminado, apesar de ser possível perceber um padrão de exclusão quando se analisam a localização do domicílio, a cor/raça e o sexo do chefe. Em todos os casos, os domicílios das zonas rurais, aqueles chefados por mulheres e os chefados por pessoas da cor/raça negra apresentam menor acesso.

* No primeiro caso, confrma-se a exclusão dos negros do consumo e do acesso a bens
e serviços, em grande parte explicada pelos menores rendimentos e menor escolaridade.
No caso da área rural, devem ser levadas em consideração também questões de infra-
estrutura, como acesso à rede elétrica.

** Entre outras questões, a presença de geladeira reduz o tempo gasto com a preparação
de alimentos que podem ser feitos em maior quantidade e armazenados para consumo em
um período maior de tempo. Além disso, também contribui para o adequado armazena-
mento, reduzindo o risco de que os alimentos se deteriorem e tragam impactos negativos
para a saúde dos habitantes do domicílio.

*** Em decorrência da ausência de microcomputadores, a proporção de domicílios que
não possuíam acesso à internet é bastante elevada. Em 2007, o total de domicílios em área
urbana que não possuem acesso à internet foi de 76,7%, sendo que nas áreas rurais esse
percentual chegou a 97,8%.


Luana Pinheiro, Natália de Oliveira Fontoura, Ana Carolina Querino, Alinne Bonetti e Waldemir Rosa. Retrato das desigualdades: Gênero e raça. 3ª edição. Brasília, 2008. Disponível em: <http://www.novo.afrobras.org.br/pesquisas/retrato-desigualdade-3-edicao.pdf>.


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Feminismo negro e internet

“A partir da crítica feminista negra, surgida na década de 60, nos Estados Unidos, o modo homogêneo como eram consideradas as mulheres nos estudos de gênero foi sendo repensado e, paulatinamente (ou melhor, tardiamente), foram incorporadas aos estudos feministas brasileiros reflexões nas quais a categoriaraça passou a ocupar uma posição de maior destaque em relação aos estudos que vinham sendo feitos até então.

Realizados quase que exclusivamente por mulheres negras da consideração monolítica das mulheres em benefício de uma agenda política que privilegie um combate mais eficaz às desigualdades observadas na sociedade brasileira. A ênfase às diferenças entre as mulheres veio à tona com toda força e resultou num questionamento da própria posição privilegiada que desfrutam as mulheres brancas em relação às negras, inclusive as feministas.

Neste sentido, o feminismo negro constituiu-se num nó ao caráter rizomático e à capacidade de tecer redes interdisciplinares identificados por Tatiana Wells como características das organizações feministas (2005), pois mobilizou sujeitos que foram durante muito tempo (e, em alguns contextos, ainda são), subsumidos por uma perspectiva universalizante que encobre a dominação de umas mulheres por outras. Com isto, a perda da inocência da categoria “mulher”, tornou politicamente mais viável, para algumas, o caminho apontado por Donna Haraway (1991), ao falar de coalisão entre mulheres porafinidade, não pori dent i dade.

No Brasil, até mesmo a ideia de um feminismo negro ainda permanece controversa, pois segmentos dos movimentos sociais negros resistem fortemente à possibilidade de uma organização feminista que não resulte em divisão na luta antirracista. Para eles, negritude e feminismo permaneceriam como categorias mutuamente exclusivas.

A reflexão de bell hooks sobre feminismo negro nos ajuda a lançar um outro olhar sobre a
conjugação feminismo e antirracismo:

Frequentemente mulheres negras exigem que explique porque eu poderia me identificar como feminista se, usando este termo, me alio a um movimento racista. Eu digo: ‘A pergunta que devemos nos fazer repetidas vezes é como uma mulher racista pode chamar a si mesma de feminista’. (…) eu escolho reapropriar o termo ‘feminismo’, enfatizando que ser ‘feminista’, no sentido autêntico do termo, é querer para todas as pessoas, machos e fêmeas, a liberação dos padrões sexistas de dominação e opressão3.

Neste sentido, com uma visão renovada do conceito e da prática feministas, as mulheres negras se apropriam de mecanismos que fazem com que suas vozes ecoem cada vez mais longe, lançando as bases para uma articulação em rede potencializada por tecnologias como a Internet.

Pensar no potencial das tecnologias implica em entender que a evolução tecnológica provoca não somente uma introdução de novos produtos e usos como também a alteração de comportamentos prévios e a emergência de novos comportamentos num dado grupo social (KENSKI, 2007), o que implica em assimilar criticamente as possibilidades que são oferecidas pela cultura digital, ou “cibercultura”, como define Lévy (1999). A cultura criada a partir da introdução destas tecnologias pode, também a partir delas, refletir sobre si própria, percebendo que as apropriações e reelaborações político-culturais podem ser concretizadas a partir de distintas formas (MORGADO, 2005).

A apropriação das tecnologias digitais, segundo Samuel Wilson e Leighton Peterson (2002), não deve ser orientada pela visão demasiadamente otimista de que a Internet informaria e empoderaria mundialmente os indivíduos (“utopia online”) enquanto subverteriam estruturas de poder, porque tende a subestimar o poder do Estado de controlar o acesso à informação. Os autores citam os exemplos dos zapatistas e dos sobreviventes de Belgrado, que utilizam a Internet como forma de articulação internacional, mas enfatizam que em alguns Estados há esforços intensivos no sentido de regular e controlar o acesso às informações. Questões de gênero, raça e classe ainda impedem a igualdade de acesso.

Apesar das limitações à apropriação da tecnologia por determinados segmentos sociais, podemos aproveitar as oportunidades de interação presentes no âmbito do cyberespaço no intuito de criar redes cuja atuação extrapolem o espaço virtual e permitam, por sua vez, a criação de estratégias coletivas – e também presenciais – para o enfrentamento da exclusão. Iniciativas feministas negras na web inalizam apropriações criativas da Internet com este objetivo. “

Fonte:

http://pt.scribd.com/doc/33866585/Feminismo-Negro-Na-Internet

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As mulheres e o trabalho

“…As mulheres, pelo tipo de trabalho que realizam – em geral empregadas domésticas ou em serviços de limpeza –, são as mais prejudicadas e apresentam um nível de exclusão digital muito mais elevado que os homens, nas camadas pobres da população. Por outro lado, a população negra masculina, que apresenta uma média de posse de computador por domicílio bastante inferior à população branca da favela, encontra no trabalho um mecanismo de igualação social. Assim, o acesso à informática fora do domicílio tem um impacto geral democratizador, ainda que desigual, permitindo o ingresso no mundo da informática a pessoas com renda média e nível de escolaridade mais baixo. Entre os usuários de computador, dentro ou fora do domicílio, o padrão que associa renda com uso de informática se mantém, mas a distância tende a diminuir, o que indica que as pessoas de menor escolaridade encontram em computadores fora do domicílio um mecanismo de igualação social: um nível de11 exclusão digital muito mais elevado que os homens, nas camadas pobres da população. Por outro lado, a população negra masculina, que apresenta uma média de posse de computador por domicílio bastante inferior à população branca da favela, encontra no trabalho um mecanismo de igualação social. Assim, o acesso à informática fora do domicílio tem um impacto geral democratizador, ainda que desigual, permitindo o ingresso no mundo da informática a pessoas com renda média e nível de escolaridade mais baixo. Entre os usuários de computador, dentro ou fora do domicílio, o padrão que associa renda com uso de informática se mantém, mas a distância tende a diminuir, o que indica que as pessoas de menor escolaridade encontram em computadores fora do domicílio um mecanismo de igualação social.

O que acontece em ambos os casos (baixo acesso das mulheres e incremento do percentual da população negra de usuários). O trabalho atua como fator de exclusão digital no caso das mulheres e de igualação social no caso dos negros. A maioria das mulheres trabalha em serviços de limpeza ou como empregadas domésticas e não tem oportunidade de utilizar computador, enquanto umnúmero maior de homens, inclusive muitos que trabalham como office boys, acabam convivendo em ambientes que incentivam, e por vezes permitem, o conhecimento dos usos básicos docomputador.As tendências em relação ao uso de computadores se reproduzem em relação à Internet, e atéficam mais marcadas.  Do total dos possuidores de computador, somente um terço tem acesso à Internet, de forma que, do total de usuários de Internet, pouco mais de 25% o fazem no domicílio, reproduzindo os padrões de uso de computador mencionados acima, isto é, a principal fonte deacesso se encontra fora do domicílio.”

Exclusão Digital: problemas conceituais, evidências empíricas e políticas públicas

De acordo com o texto, o tipo de trabalho que as mulheres pobres, negras em sua maioria, realizam mesmo fora de casa impedem o acesso à computadores, assim o trabalho representa um fator excludente em relação aos homens negros da mesma classe e às mulheres brancas de classes mais altas. Para a população masculina negra, algumas vezes o trabalho dá acesso à computadores ou a algum tipo de contato com novas tecnologias, minimizando o abismo digital em relação à população masculina branca.

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