Projeto de pesquisa

Mulheres Negras na Internet

Um estudo sobre a exclusão digital de mulheres negras de Salvador

1. Introdução a temática: Gênero, raça e exclusão digital. Trata-se de uma pesquisa sobre a relação mulher negra e mundo digital, como a exclusão digital atinge as mulheres negras e quais são as conseqüências dessa exclusão, manifestadamente uma conseqüência da exclusão social.

2. Objetivo geral: A pesquisa tem o objetivo de estudar a questão da exclusão digital no universo das mulheres negras. Pretendemos esclarecer como se dá e qual a diferença da exclusão digital entre mulheres negras e mulheres brancas (paralelo étnico), e mulheres negras e homens negros (paralelo de gênero).

3. Objetivos específicos:

- Refletir sobre a exclusão digital como conseqüência da exclusão social, e como isso afeta diretamente as mulheres negras em sua maioria.

- Compilar no blog Mulheres Negras na Web os materiais teóricos que estudam a exclusão digital, a questão de gênero e a questão racial. E, mais importante, que tratam dos três aspectos de forma conjunta.

- Mapear e selecionar grupos de mulheres negras em Salvador

- Fazer um diagnóstico para identificar se existem ou não ações e projetos para inclusão digital das mulheres negras entre os grupos selecionados. Nesse diagnóstico deve constar como são esses projetos, qual a importância, quais as dificuldades de implantação de um projeto de inclusão digital, as metas e possíveis conseqüências da inclusão digital, se e como a necessidade da inclusão se revelou para os grupos, se a inclusão digital se impõe como um mecanismo de emancipação no mundo da informação e, por fim, se e como a inclusão transforma as práticas das mulheres negras.

4. Marco Teórico: Utilizamos os seguintes conceitos de gênero e raça:

– Gênero:

“A forma culturalmente elaborada que a diferença sexual toma em cada sociedade, e que se manifesta nos papéis e status atribuídos a cada sexo e constitutivos da identidade sexual dos indivíduos” (Dicionário Aurélio, Brasil).

“Gênero é um elemento constitutivo de relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos, e o gênero é um primeiro modo de dar significado às relações de poder”. (Joan Scott)

No conceito dado pelo dicionário Aurélio, há uma ressalva para os termos ‘cada sexo’, já que toma como pressuposto de que existem apenas dois sexos definidos- homem e mulher. Isso entra em discordância com a Teoria Queer, que estamos utilizando como base teórica, pois é limitante e segundo esta teoria as identidades sexuais são múltiplas. A teoria queer aposta numa política pós-identitária, pois a afirmação de uma identidade implica sempre a negação do outro, a demarcação dos limites sem uma perspectiva de interdepência. Essa política não teria como alvo as mulheres e homens homossexuais, e sim a crítica a dicotomia hetero x homo, já que é isso que regula as relações sociais. O foco agora é a cultura, a linguagem, o discurso e as instituições.

– Raça:

“Alguns estudiosos entendem que a sua etimologia provém da palavra latina “radix”, que significa raiz ou tronco; Ela tem sido usada para designar qualquer agregado de pessoas que podem ser identificados como pertencentes ae um grupo. Assim, as pessoas que possuem os mesmos ancestrais, ou compartilham com as mesmas crenças ou valores, mesma linguagem ou qualquer outro traço social ou cultural [de caráter unificador] são considerados como uma raça”. (http://www.bahai.org.br/racial/Raca.htm)

- Inclusão digital:

“Uma definição mínima passa pelo acesso ao computador e aos conhecimentos básicos para utilizá-lo. Atualmente, começa a existir um consenso que amplia a noção de exclusão digital e a vincula ao acesso à rede mundial de computadores. A idéia corrente é que um computador desconectado tem uma utilidade extremamente restrita na era da informação, este acaba sendo utilizado quase como uma mera máquina de escrever. Portanto, a inclusão digital dependeria de alguns elementos, tais como, o computador, o telefone, o provimento de acesso e a formação básica em softwares aplicativos.”

- Exclusão Digital:

“Pensar em exclusão digital, de fato, não significa meramente pensar na falta de equipamentos ou sistemas computacionais de informação acessíveis à população, trata-se também de um processo de exclusão social, econômica e cultural. Conforme Schwartz (2000), a exclusão digital não significa somente deixar de ter acesso a bens eletrônicos como computadores, internet, telefones celulares e televisores via satélite, mas sim, continuarmos incapazes de pensar, de criar e de organizar novas formas, mais justas e dinâmicas, de produção e distribuição de riqueza simbólica e material.” (Marcos da Silva Araújo)

A partir desses conceitos de gênero e raça trabalharemos com a bibliografia feminista e do movimento negro, selecionando estudos acerca das novas tecnologias e da inclusão digital. O conceito de exclusão digital que o grupo utiliza coloca a exclusão social como uma das principais causas, sendo as mulheres negras uma das parcelas mais excluídas socialmente.

5. Bibliografia:

- SCOTT, J.W. Gênero: uma categoria útil para a análise histórica. Disponível em: < http://www.dhnet.org.br/direitos/textos/generodh/gen_categoria.html&gt;

-Blog mulheres negras na web (http://mulheresnegrasnaweb.wordpress.com)

- Superintendência de Políticas para Mulheres (http://www.spm.salvador.ba.gov.br/)

- Centro de Estudos Afro-Orientais (http://www.ceao.ufba.br/2007/)

- Educação e Profissionalização para Igualdade Racial e de Gênero (http://www.ceafro.ufba.br/web/index.php/inicio)

- Centro Feminista de Estudos e Assessoria (http://www.cfemea.org.br/)

-SEBASTIÃO, A. A. Disponível em: -Geledés Instituto da Mulher Negra (http://www.geledes.org.br)

-CEAFRO (http://www.ceafro.ufba.br/web)

-Mulheres negras- do umbigo para o mundo (http://www.mulheresnegras.org)

- Agência Patrícia Galvão (http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_capas&view=capas&tplay=sub&capaid=2&Itemid=27)

-Feminismo Negro na Internet (http://pt.scribd.com/doc/33866585/Feminismo-Negro-Na-Internet)

- Retrato da Desigualdade (http://www.novo.afrobras.org.br/pesquisas/retrato-desigualdade-3-edicao.pdf)

- NATANSOHN G., BRUNET, K. Análise: No mundo da tecnologia, há uma brecha digital de gênero, raça e clase. Disponível em:<http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1482:16032011-analise-no-mundo-da-tecnologia-ha-uma-brecha-digital-de-genero-raca-e-classe-folha-&catid=44:noticias&gt;.

- Portal Software Livre (http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/artigo_02/)

- ARAÚJO, M.S.A Informação em um Mundo em Transformação. Disponível em: http://www.webartigos.com/articles/88/1/A-Dinamica-Da-Exclusao-Digital-Na-Era-Da-Informacao/pagina1.html

-Unidade Racial- O que é raça? (http://www.bahai.org.br/racial/Raca.htm)

6. Metodologia:

- Acompanhamento das ações para inclusão digital voltadas para mulheres negras dentro de grupos selecionados para a pesquisa.

- Trabalhar com órgãos específicos da localidade de Salvador (como, por exemplo, a Superintendência de Políticas para Mulheres – SPM), e através de entrevistas, questionar a exclusão digital da mulher negra soteropolitana.

- Fazer um levantamento de dados através de pesquisa e das entrevistas com pessoas e grupos que trabalham com o tema.

- Elaborar um artigo final com abordagem do tema específico na Região Metropolitana de Salvador, trazendo dados atualizados, questionamentos e uma sugestão possível para a aplicação da inclusão digital de mulheres negras soteropolitanas.

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